Publicado em 11/01/2017 às 17:00 · Aventuras

O mundo nas costas
De peito aberto às novas experiências, mochileiros desbravam o mundo e trazem dicas

A viagem é inesquecível para quem a faz. Você se sente livre para desbravar o que quiser. Quando o roteiro termina, você se esquece dos perrengues que passou trazendo aquela sensação de querer continuar na aventura. No início é só uma mochila com seus pertences mais importantes, mas, no final, sua bagagem já está cheia de memórias maravilhosas. Esse é o sentimento de quem faz o mochilão. Conversamos com três mochileiros de carteirinha sobre suas aventuras e eles deram dicas incríveis para quem também quer sair pelo mundo afora.

Esse desejo incontrolável por viagens aflora no peito do César Bertinato, estudante que, nas horas vagas, se dedica ao seu canal no YouTube “Volta ao mundo em seis minutos”; da Tatiany Carvalho, que saiu do Piauí para Brasília e agora percorre o mundo; e da Camila Nascimento, uma paulista que tem como objetivo explorar o Brasil. César, Tatiany e Camila são os três mochileiros que nos trouxeram um pouco das suas experiências.

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Tatiany maravilhada com a paisagem do Atacama, Piedras Rojas (Foto: arquivo pessoal)

Quais são as dicas que vocês dão para quem quer fazer um mochilão?

César: “Minha primeira dica sempre vai ser: se arrisque! Você nunca sabe o mundo que existe por aí afora antes de se arriscar numa viagem ou num mochilão. E a bagagem e o conhecimento adquiridos posteriormente têm um valor inestimável. Mas, para não se perder, nunca se esqueça do planejamento”.

Tatiany: “A minha principal dica para quem quer fazer um mochilão é já ir se preparando para ficar com a mente bem aberta. Várias coisas podem sair do planejado e, nesse caso, é preciso ter bom senso para lidar da melhor forma possível com as diferentes situações, sejam elas boas ou ruins. Tudo pode acontecer”.

Camila: “Acredito que a principal dica é manter a mente aberta a novas experiências, o que ajuda a responder de forma positiva aos imprevistos. Eles sempre vão existir”.

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César na Irlanda (Foto: arquivo pessoal)

 

Qual foi a melhor viagem?

César: “A melhor viagem que já fiz, sem a menor dúvida, foi para a Islândia, embora a Rússia tenha me surpreendido de um modo diferente. A Islândia, no entanto, é preenchida por belezas naturais ’sobrenaturais’. Uma beleza que nunca vi em lugar algum, e a paisagem muda a cada 5 minutos enquanto você se desloca pela ilha ou até mesmo se está parado. O clima é incrivelmente maluco, e as paisagens são as mais bonitas que já vi. Sensacionais!”.

Tatiany: “A melhor viagem que eu fiz foi para Machu Picchu. Tinha um sonho de conhecer aquele lugar, já tinha feito várias pesquisas a respeito de como era, mas nunca havia me planejado para a viagem. Ano passado, enquanto eu estava olhando sites de promoção de viagens, achei um preço muito bom para Cuzco. Não pensei duas vezes e comprei. Viajei na semana seguinte, sem muito planejamento, fui sozinha. Com toda a certeza, foi a melhor decisão da minha vida”.

Camila: “Minha meta sempre foi conhecer o máximo do território brasileiro. Dos lugares que visitei, o mais incrível foi Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro.”

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César em Paris, França (Foto: Arquivo pessoal)

E o maior perrengue?

César: “Mochileiro sempre passa por uns perrengues. O meu maior foi na Rússia, indo de Moscou para São Petersburgo. O ônibus em que reservei a passagem simplesmente não apareceu, me deixando na mão, com mala e tudo, no meio da rua onde seria o ponto em frente à uma estação de metrô. A sorte foi que uma amiga russa de São Petersburgo entrou em contato com um menino por uma rede social russa (existia a lista de quem reservou o mesmo ônibus) e ele me levou, com a família dele, até a estação de trem para comprarmos uma passagem — que acabou sendo bem cara na hora — e sairmos de Moscou. Parece um perrengue pequeno, mas estava chovendo, a família entrava em contato com o motorista e ele dava locais diferentes pra nos buscar. Rodamos a cidade e, após 3 horas, fomos para a estação de trem. Um detalhe: nenhum deles falava inglês. Então fui meio que adivinhando a situação toda”.

Tatiany: “Atualmente estou fazendo um mochilão entre a Bolívia e o Chile. A viagem está sendo excelente, mas houve alguns perrengues aqui na Bolívia com relação a ônibus. Estou percorrendo os lugares e, às vezes, acontece de eu pagar por um serviço ‘x’ e receber um ‘y’ muito inferior, coisas do tipo. Mas acredito que não vale reclamar, não adianta muita coisa”.

Camila: “Nunca me esquecerei de quando passei a noite na rodoviária de Paraty, no Rio de Janeiro, para pegar o primeiro ônibus rumo a Trindade, no mesmo estado. Foi complicado dormir lá”.

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O melhor destino de Tatiany: Machu Picchu (Foto: arquivo pessoal)

Quais itens são essenciais na bagagem de um mochileiro?

César: “Eu sempre aconselho levar mais ’partes de baixo’ do que ‘partes de cima’, porque você vai precisar. Se a viagem é de avião e a mochila vai no bagageiro, lembre-se de que os líquidos permitidos são de até 100 ml, então: embalagem pequena de shampoominissabonete e condicionador (quem usa), álcool em gel para momentos em que não há como lavar as mãos, por exemplo, lenços umedecidos (para momentos em que o banho está bem longe da realidade — usei bastante no Marrocos) e desodorante. Sua câmera, óculos de sol e protetor solar são essenciais. Carregador de celular também não pode faltar. Uma bateria extra é muito útil se você dormir em um hostel em que a tomada fica longe da sua cama — pra não deixar o celular à mercê da sorte. Se o destino é muito frio, um grande casaco de inverno basta pra você não ficar carregando casacos por aí, já que não cabem na mochila. Os itens essenciais também variam com o estilo da viagem. Mas acho que citei os que eu não ficaria sem de jeito nenhum num mochilão qualquer”.

Tatiany: “Huuuum… Difícil! O principal é o mochilão. Não conseguiria fazer esse tipo de viagem com muita coisa. Aprendi a desapegar também. Às vezes a gente pensa que isso ou aquilo vai faltar, mas eu estou me virando muito bem com o mínimo de coisas que eu trouxe. Acredito que na próxima viagem vou me desapegar muito mais”.

Camila: “Nunca deixo de carregar comigo roupas bem leves para não pesar na mochila, itens pequenos de higiene pessoal nem deixo de levar uma toalha e um lençol, só por garantia mesmo. Acho esses itens muito importantes”.

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Camila na Mega Tirolesa em Pedra Bela/SP (Foto: aquivo pessoal)

Onde passar a noite?

César: “Eu sempre me hospedo em hostel durante mochilões, uso alguns aplicativos de celular pra isso, mas já usei o Couch Surfing e recomendo! Funciona assim: você fica na casa de alguém que oferece uma cama ou sofá e alguns até vão além e conversam e contam experiências. Ideal para quem viaja sozinho. Se você vai com um grupo, o mais interessante é alugar um apartamento ou uma casa, uso sites como Booking.com e Airbnb e nunca tive problemas”.

Tatiany: “Eu costumo me hospedar em hostel. O clima é bem jovem e descontraído. Acabo conhecendo muita gente e entro em contato com culturas diversas”.

Camila: “Em hostel e albergue. Esses tipos de hospedagens são ótimos na relação custo x benefício, sem contar que os hostels têm um clima de cooperação, sendo um excelente lugar para se fazer novas amizades e conseguir companhia para os passeios durante a viagem”.

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Camila desfrutando da Cachoeira Cascatinha em Furnas de Capitólio/ MG (Foto: arquivo pessoal)

Qual o próximo destino?

César: “O próximo destino ainda está sendo planejado. Estou com muitos planos para 2017, mas nada muito concreto ainda. Um mochileiro pesquisa muito antes de viajar. Principalmente quando a intenção é economizar o máximo possível”.

Tatiany: Eu ainda não pensei muito no meu próximo destino, mas o meu coração está batendo mais forte pelo mar do Caribe. Então é bem provável que eu acalme o meu coração naquelas águas de perder o fôlego ainda este ano!”.

Camila: Anote aí: Vila de Jericoacoara, Jijoca de Jericoacoara, no Ceará. Que lugar maravilhoso!”.

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