Publicado em 25/07/2016 às 23:00 · Descobertas

Destino: África
Giovanna Ewbank explora a África em uma viagem emocionante

Sensibilidade à flor da pele. Assim foi a viagem que Gio Ewbank fez à África, no ano passado. A viagem se dividiu em três etapas. Na primeira, ela foi aos Estados Unidos visitar uma senhorinha que se dedicava a fazer o bem e, desde os 96 até os 100 anos, confeccionou mil vestidos para que fossem doados para meninas africanas. Na segunda parte, junto com Rachel O’Neill, fundadora da ONG Little Dress for Africa, Gio seguiu rumo ao Malauí, na África, para entregar os vestidos pessoalmente em uma jornada repleta de emoção e solidariedade. Na terceira e última, ela explorou uma outra África, repleta de belezas naturais e surpresas incríveis. Preparados para a viagem?


Destino: África

Sempre soube que a minha primeira vez na África seria sem volta, por conta do meu amor aos animais, do meu interesse pela cultura, que vem desde a infância, e pelo povo. Quando cursava a faculdade de moda, grande parte das minhas influências vinham desse lugar tão incrível, cheio de cores e descobertas!

Pois bem, em 2015, fui convidada pela equipe do meu amigo amado Fausto Silva (amo muito mesmo!) para participar de uma reportagem no Malauí, país que hoje é considerado o mais pobre do mundo, e finalmente eu iria a África, o continente que tanto sonhava em conhecer! Começamos a viagem pelos Estados Unidos, onde entrevistei uma senhora americana e exemplo de ser humano. Aos 100 anos, Lilian Weber, que dedicou sua vida as doações e a fazer o bem, completava seu milésimo vestido. Todos os dias, ela costurava vestidos feitos de fronha de travesseiro (por ser fácil de produzir) para crianças africanas. Seu gesto sempre ajudou muito essa população que muitas vezes não tem o que comer nem o que beber, e que todos os dias luta contra a fome, sede, frio e doenças sem nenhum tipo de infraestrutura (já que o país é contaminado pela triste realidade da AIDS e malária). Mais do que uma ajuda, esses vestidos simbolizam um “olhar” por aquelas pessoas, que, ao contrário do que possam pensar, não estão sozinhas, pois existem milhares de pessoas olhando por elas e ajudando-as da melhor maneira possível.

Depois de conhecer o lindo trabalho da Lilian (que faleceu no dia 8 de maio, nos deixando muita saudade) e com as centenas de vestidos em mãos, partimos finalmente para o Malauí.

malauí

Foram mais de 20 horas de vôo, estavamos todos exaustos e já no caminho do aeroporto para o hotel meu coração fica apertado. Me deparo com a triste realidade de crianças e adultos desnutridos, pés descalços, sujos, carregando muito peso nas costas e seus filhos nos braços, vemos também muitas crianças carregando outros bebês pois quando seus pais não resistem ao parto ou outra doença, os filhos ficam encarregados de cuidar das crianças mais novas, a expectativa de vida dos habitantes no Malauí é de 40 anos. E apesar disso tudo eu percebi algo muito lindo e que me tocou profundamente: um grande sorriso no rosto e um brilho no olhar sem igual! O Malauí é chamado de “coração quente da África”, e foi exatamente essa a sensação que eu tive. Apesar de toda a pobreza e dos problemas pelos quais passam, eles me acolheram melhor do que ninguém e eu me senti amada por cada um deles. Conheci pessoas maravilhosas com quem mantenho contato até hoje e a quem ajudo como posso. Uma delas foi a pequena Cecília ❤, uma menina linda com um olhar peculiar que conheci em uma das vilas das quais eu visitei para fazer as doações . Não foi rápido arrancar um sorriso daquele rosto lindo de princesa, mas tivemos uma grande conexão e afinidade desde o início, penso nela e nos seus familiares todos os dias. Já fui algumas vezes ao Malauí, e nós sempre nos encontramos para matar as saudades!

malauí

Ver isso tudo, na verdade, foi um choque de realidade! Depois de passar por um lugar desses e ver a alegria nos olhos dessas pessoas que passam por tantas dificuldades, todo o resto fica pequeno. Todos os meus desejos e conquistas, felicidades e tristezas parecem nada perto daquilo que começo a viver ali. Eu, uma mulher de na época 28 anos, com saúde, um marido e uma família perfeitos, casa, comida, realizada no trabalho, sem grandes problemas e muito bem resolvida, sugiro a todos vocês que procurem saber mais sobre o Malauí, ou então quem tiver condições, vá até lá para ver e sentir de perto tudo o que eu vivenciei. Tenho certeza de que a perspectiva de vida de cada um irá mudar, algo em vocês ficará diferente. Já faz mais de um ano que fiz essa viagem e o Malauí não sai da minha cabeça e do meu coração por nada. Volto sempre que posso para levar doações arrecadas no Brasil e rever pessoas que tanto me sensibilizam. Tantas vezes me perguntam: “Por que o Malauí? No Brasil também tem muita pobreza” e respondo: Por que não o Malauí? Todos somos seres humanos que precisam de ajuda, amor e atenção. Não me interessa a cor, credo ou a nacionalidade, quero apenas distribuir AMOR, e me desculpem, isso não pode ser contestado.

(foto: Fábio Cascão)

Penso no Malauí todos os dias da minha vida e choro pensando em tudo o que vivi e ainda vou viver, porque fui marcada por esse lugar, e como eu sempre acreditei, minha ida “NÃO TEM VOLTA”!

  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)
  • (foto: acervo pessoal)

 

 

UMA OUTRA ÁFRICA

Muitos não sabem mas a África é um continente imenso, e assim como cada país, tem sua beleza e particularidade. Meu segundo momento na África foi mágico! De início, foi difícil embarcar nesse sonho que é a Cidade do Cabo e Kruger, pois eu ainda estava muito abalada e anestesiada com tudo o que tinha vivido e sentido no Malauí. Não me conformava em ter pagado belos passeios e hotéis (que não são baratos) depois de ter visto tanta fome e pobreza. O fato é que já estava tudo pago, e minha mãe e meu amigo Eduardo Bravin estavam me esperando para a segunda parte da viagem.

África_Crédito Eduardo Bravin (33)_m

CIDADE DO CABO (CAPETOWN)

No primeiro dia eu só chorava, não tinha vontade de fazer nada e queria voltar para o coração da África, Malauí. Depois de uma sacudida da minha mãe (minha grande amiga, confidente e parceira de viagem) que me disse “Filha, fique tranquila, nós vamos voltar ao Malauí e eu irei com você, porque também quero conhecer e ajudar”, tomei um banho, engoli o choro e fui conhecer a cidade que diziam ser tão bela. Realmente! Ainda bem que minha mãe me tirou do hotel, porque a cidade é maravilhosa e merece todo o nosso olhar! Muito civilizada, limpa, com bons restaurantes, passeios legais e paisagens exóticas. Pegamos um motorista moçambicano muito simpático e culto que nos contou a história não só da cidade mas de sua vida e todos os percalços que passou até chegar alí. Uma história linda e tocante, cheia de preconceitos e vitórias que o fazem ser aquele ser humano tão incrível é interessante!

(foto: Eduardo Bravin)

(foto: Eduardo Bravin)

Primeiro fomos tomar um vinho em uma das dezenas de vinícolas que se tem por lá, um dos passeios que TEM que se fazer em Capetown. Huumm, que delícia!

(foto: Eduardo Bravin)

(foto: Eduardo Bravin)

Passamos por lugares e paisagens lindas e, logo depois, fomos ver os famosos pinguins na praia chamada Bolders Beach.

(foto: Eduardo Bravin)

(foto: Eduardo Bravin)

Almoçamos em um lugar INCRÍVEL, com uma vista que até parecia montagem!

(foto: Eduardo Bravin)

(foto: Eduardo Bravin)

Depois do almoço, fomos a um santuário de chitas, MEU DEUS COMO SÃO LINDAS! Neste lugar eles cuidam e reabilitam animais que sofreram algum tipo de trauma, ataque ou que foram abandonadas por seus pais. Elas são dóceis e recebem muito amor de seus treinadores (que fique claro que isso não é um zoológico ou algo parecido, sou totalmente contra qualquer coisa do tipo e NUNCA iria a um lugar desses) o trabalho deles é lindo de ver.

  • Visita às chiitas (foto: Eduardo Bravin)
  • Visita às chiitas (foto: Eduardo Bravin)
  • Visita às chiitas

África_Crédito Eduardo Bravin (32)_m

Quando começou a anoitecer, voltamos para o hotel. A viagem no dia seguinte seria bem cedo, pois tínhamos que pegar um avião e um jatinho para ir ao Kruger!

  • Vínícola (foto: Eduardo Bravin)
  • Vínícola (foto: Eduardo Bravin)
  • (foto: Eduardo Bravin)
  • (foto: Eduardo Bravin)
  • (foto: Eduardo Bravin)
  • (foto: Eduardo Bravin)
  • Os pinguins de Boulders Beach (foto: Eduardo Bravin)
  • Os pinguins de Boulders Beach (foto: Eduardo Bravin)
  • Vista incrível do restaurante onde almoçamos (foto: Eduardo Bravin)
  • Visita às chiitas (foto: Eduardo Bravin)
  • Visita às chiitas (foto: Eduardo Bravin)

 

ÚLTIMA PARADA: PARQUE NACIONAL KRUGER ( KRUGER NATIONAL PARK)

O Parque Nacional do Kruger é uma das maiores reservas naturais da África, um verdadeiro santuário da vida selvagem. Nos seus mais de dois milhões de hectares estão abrigados, entre muitos outros animais, os chamados “big five” (leão, leopardo, búfalo, elefante e rinoceronte), antigamente conhecidos como os mais perigosos e hoje em dia como os mais populares do safári. UAU! Esse é o lugar onde gostaria de passar um período da minha vida, não apenas uma semana, e sim uns três meses. Temos tanto o que aprender com a natureza e com os animais. E no Kruger é exatamente assim, me senti parte daquilo tudo, parte da natureza, pois ficamos no meio dela e dos animais soltos, todos vivendo em perfeita harmonia. Que experiência maravilhosa!

(foto: Eduardo Bravin)

(foto: Eduardo Bravin)

Chegar ao Kruger não é tão simples para quem tem medo de avião, porque, no caso, não é um AVIÃÃÃO, é um aviãozinho bem pequeno e muito barulhento kkkkkkk. No dia em que fomos, o tempo não estava ajudando, e quando entrei no aviãozinho, perguntei mais de mil vezes ao piloto: “Tem certeza de que podemos viajar com esse tempo?” Ele já estava quase dando na minha cara, e minha mãe estava ao meu lado, louca para tomar um remedinho manipulado para dormir e se acalmar, já o Edu se tremia todo e repetia tentando se convencer: “Calma gente, vai dar tudo certo” kkkkk. No final, todos conseguimos dormir e tudo correu muito bem!

Quando chegamos ao Kruger, fomos recebidos em uma cabana maravilhosa, com água, suco e toalhinhas úmidas e aromatizadas, tudo muito chique! Escolhemos o hotel SABI SABI, pois muitos amigos nos recomendaram, e realmente, acertamos em cheio. Serviço impecável, comida de lamber os beiços e uma vista, meu amooooooor… Só vendo as fotos para entender! Ok, voltando, depois das toalhinhas umidecidas, nosso guia STEVE, (o melhor guia de todos os tempos! Quem for ao SABI SABI procure por ele. Sabe aquele guia que vibra com você como se fosse a primeira vez dele também? Esse é o Steve!!! Puro amor pela vida e pelos animais.) nos esperava em um jeep para nos levar ao hotel, no meio da selva, onde começaríamos uma viagem inesquecível. Nosso dia começou às 5 da manhã, logo depois do café da manhã, e então partimos para o safári diurno. Meus amores, é MUITO FRIO. Para vocês terem uma ideia, tivemos que usar um casaco de neve, e mesmo assim, no carro ainda havia mantas e bolsas de água quente para esquentarmos as mãos. E eu, que sempre achei que na África só fazia calor? rsrs… Ali mesmo, no meio do nada, Steve sacou uma bebida quente que ele chama de “Mocha Rocka Choca Vulu Vala”, que é basicamente Amarula com leite e uma pitada de canela. JESUUUUUUS!!! É MUITO BOOOOOM!!! Nem preciso dizer que bebemos isso até hoje, né?

África_Crédito Eduardo Bravin (101)_m

Depois do safári diurno, almoçamos no hotel e descansamos por duas horas. Logo depois, partimos para o safári noturno já no final da tarde (ele começa à tarde e vai até a noite). Steve nos levou a lugares lindos, com paisagens fascinantes e pôr do sol que nunca vi igual. Embaixo daquele céu vermelho-sangue com a lua e o sol competindo pelos nossos olhares, Steve estendeu uma toalha de piquenique, nos serviu um belo vinho e, naquele momento, minha vontade foi de chorar de tanta emoção por estar vivendo aquilo e por estar viva! Ali, me senti completa, fazendo parte da natureza e do universo!

África_Crédito Eduardo Bravin (63)_m

(foto: Eduardo Bravin)

(foto: Eduardo Bravin)

  • Safári diurno (foto: Eduardo Bravin)
  • Pausa para o lanche da tarde com vinho (foto: Eduardo Bravin)
  • Safári noturno (foto: Eduardo Bravin)
  • Cama mara do hotel Sabi Sabi (foto: Eduardo Bravin)

 

Depois de ver tantos animais, tantas emoções à flor da pele e chorar litros ao ver um filhote de elefante brincando, pulando feliz com sua família, todos LIVRES, tivemos que voltar para o hotel quando disse ao Steve que estava com o nariz tão congestionado que era difícil até respirar. Ele falou: “Já vou resolver isso” e continuou dirigindo. Olhei para o Edu e para minha mãe e falei: “Acho que meu inglês não está legal, ele entendeu outra coisa kkkkk” quando, de repente, ele parou o carro e nos trouxe um cocô de elefante, isso mesmo, um COCÔ! Não entendeu? ESTERCO DE ELEFANTE! Kkkkkkk. Ele pegou um isqueiro, acendeu o cocô de elefante e nos mandou fumar aquilo. Eu, como sou mais curiosa que TUDO, fiquei logo animada e fumei o tal esterco. Gente, JURO POR TUDO, na mesma hora meu nariz descongestionou e eu estava respirando como nunca havia respirado! Foi inacreditável! Depois daquilo, finalmente, poderíamos ir para o hotel jantar e dormir, afinal já estávamos exaustos, morrendo de fome e no dia seguinte acordaríamos às 5 da matina de novo. E nossos dias foram assim, com muitas descobertas, muitas emoções, risos, choros, bebida, comida e muito amor por tudo aquilo!

(foto: Eduardo Bravin)

(foto: Eduardo Bravin)

Obrigada, África, por tudo o que você me trouxe!

Eu me despeço com a absoluta certeza de que em breve estarei de volta!

  • Café da manhã no Sabi Sabi (foto: Eduardo Bravin)
  • Pit stop para saborear a bebida do Steve (foto: Eduardo Bravin)
  • Pé na estrada para começarmos o Safari diurno (foto: Eduardo Bravin)
  • Beleza para todos os lados! (foto: Eduardo Bravin)
  • Safári diurno (foto: Eduardo Bravin)
  • Just relaxing (foto: Eduardo Bravin)
  • Safári diurno (foto: Eduardo Bravin)
  • Safári diurno (foto: Eduardo Bravin)
  • Safári diurno (foto: Eduardo Bravin)
  • Safári diurno (foto: Eduardo Bravin)
  • Safári diurno (foto: Eduardo Bravin)
  • Safári diurno (foto: Eduardo Bravin)
  • Safári diurno (foto: Eduardo Bravin)
  • O céu mais lindo que já vi (foto: Eduardo Bravin)
  • Eu, Eduardo Bravin e os guias (foto: Eduardo Bravin)
  • Depois do lanche, safári noturno (foto: Eduardo Bravin)
  • Safári noturno (foto: Eduardo Bravin)
  • Safári noturno (foto: Eduardo Bravin)
  • O jantar do hotel Sabi Sabi (foto: Eduardo Bravin)
  • O jantar do hotel Sabi Sabi (foto: Eduardo Bravin)
  • Detalhes charmosos (foto: Eduardo Bravin)
  • Um banho para relaxar! (foto: Eduardo Bravin)
  • Mama, my love (foto: Eduardo Bravin)
  • Johanesburgo (foto: Eduardo Bravin)

 

 

Gio Ewbank
Gio Ewbank
Atriz, apresentadora e apaixonada por moda, Gio é fundadora e curadora do GIOH. Sua paixão pela vida, por novas culturas, pela natureza, pelos animais e por viagens a faz explorar novos territórios a cada dia. Está sempre disposta a aprender e a viver novos desafios. Paulista de nascença e carioca de coração, ela vai dividir por aqui um pouco do seu universo e de suas paixões.
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