Publicado em 06/10/2016 às 18:00 · Bem-estar

Batalha vencida
Paula Martins, do blog Viver Sem Trigo, conta sobre sua luta contra o câncer de mama

O índice de mulheres diagnosticadas com câncer de mama cresce 25% a cada ano no Brasil e no mundo, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), e, geralmente, as vítimas são mulheres acima dos 35 anos, dos mais variados lugares, com hábitos e biótipos diferentes. Engrossando essa estatística está a chef de cozinha Paula Martins, mãe de dois filhos pequenos, diagnosticada com câncer de mama aos 38 anos de idade, lutou bravamente contra a doença. À frente do blog de receitas Viver sem Trigo, Paula descobriu o nódulo, que não havia sido diagnóstico como maligno, por meio do autoexame — o que mudou sua vida para sempre. Na cirurgia para a retirada do nódulo, veio a confirmação da doença e, junto com ela, uma mistura de sentimentos. No entanto, Paula conseguiu vencer e dar a volta por cima. Hoje encoraja mulheres que passam pela mesma situação a lutar com a certeza da vitória. Conversamos com ela, que nos contou um pouco mais da sua história.

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Paula Martins descobriu o câncer de mama aos 38 anos através do autoexame

GIOH: Como você descobriu o câncer?

Paula Martins: Aos 38 anos, por meio do toque. Fiz vários exames e nenhum apontava que era câncer, mas ele me intrigava. Intuição mesmo! Então marquei com um cirurgião oncológico para retirar o nódulo e, na cirurgia, ele descobriu a célula maligna. Ele fez a retirada do quadrante na hora.

 G: Como foi ser diagnosticada com a doença tendo filhos pequenos?

PM: O diagnóstico de câncer é apavorante! Parece que estamos recebendo uma sentença de morte. Eu só pensava nos meus filhos, que não os veria crescer, e isso foi muito difícil. Mas respirei e fui fazer o que me faz bem: fui para a cozinha e fiz um bolo para espantar os pensamentos ruins da minha cabeça. Decidi que não pensaria no pior, que o meu nódulo tinha tratamento e que eu iria fazer o que fosse preciso para sair curada.

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Para Paula, o diagnóstico do câncer foi ainda mais difícil por ter filhos pequenos

G: Durante a quimioterapia, você reagiu bem?

PM: Fiz 16 sessões de quimioterapia. A primeira fase era a da série vermelha (a punk), que faz cair cabelo, dá náuseas, sonolência e cansaço. Tinha um intervalo de 21 dias entre elas. A primeira semana foi horrível, eu só dormia e tomava remédio para enjoo. Na segunda semana eu já estava melhor, voltando às minhas atividades, treinos, cursos e até viagens.

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Paula passou por dezesseis sessões de quimioterapia, a fase vermelha a fez perder os cabelos

 G: O que você sentiu que mudou em seu corpo durante o tratamento?

PM: Ganhei um pouco de peso por causa dos corticoides e não tinha muita força muscular. Nos treinos, me sentia uma senhora de 80 anos.

G: Além de ter que lutar contra a doença, ainda existem os olhares inconvenientes das pessoas nas ruas. Como você lidou com isso?

PM: Eu tentava ignorar, mas lidei bem! Nunca deixei de sair ou fazer algo porque estava usando lenço ou boné.

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Mesmo durante o tratamento Paula não deixou de fazer seus treinos de academia

G: A ausência do trigo na sua alimentação ajudou na recuperação?

PM: Tenho certeza de que ajudou! Minha imunidade sempre esteve em níveis excelentes e nunca adiei uma sessão sequer. Nem resfriado eu tive!

G: Durante o tratamento, você teve vontade de comer coisas que já não existia mais nos seus hábitos alimentares?

PM: Ah, sim! Durante as quimios vermelhas tudo o que você come tem sabor de metal, e isso me arrepia até hoje. Então, a comida tinha que ser muito saborosa ou, às vezes, muito gordurosa, como a do McDonald’s.

G: O que mudou na sua vida depois de vencer o câncer?

PM: O jeito de encarar os problemas e de não dar peso a coisas que não importam. Passei a valorizar o tempo com meus filhos, a valorizar mais a vida e a saúde.

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Depois de vencer a doença, Paula passou a valorizar mais o tempo com sua família

G: Qual mensagem você deixaria para quem está lutando contra essa doença?

PM: Que tudo passa! O importante é ficar forte. Ser mais forte que ela! Não importam as lutas, o que importa é vencer todas elas.

 

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